quinta-feira, 26 de julho de 2007

OSWALD DE ANDRADE (A MORTA)

HIEROFANTE: Senhoras, senhores, eu sou um pedaço de personagem, perdido no teatro. Sou a moral.
Antigamente a moralidade aparecia no fim das fábulas. Hoje ela precisa se destacar no princípio, a fim de que a polícia garanta o espetáculo. E se estiole o ríctus imperdoável das galerias.
Permanecerei fiel aos meus propósitos até o fim da peça. E solidário com a vossa compreensão de classe.
Coisas importantes nesta farsa ficam a cargo do cenário de que fazeis parte.
Estamos nas ruínas misturadas de um mundo.
Os personagens não são unidos quando isolados. Em ação são coletivos. Como nos terremotos de vosso próprio domicílio ou em mais vastas penitenciárias, assistireis o indivíduo em fatias e vê-lo-eis social ou telúrico.
Vossa imaginação terá que quebrar tumultos para satisfazer as exigências da bilheteria
.Nosso bando precatório é esfomeado e humano como uma trupe de Shakespeare. Precisa de vossa corte. Não vos retireis das cadeiras horrorizados com a vossa autópsia.
Consolai-vos em ter dentro de vós um pequeno poeta e uma grande alma!
Sede alinhados e cínicos quando atingirdes o fim de vosso próprio banquete desagradável.
Como os loucos, nos comoveremos por vossas controvérsias.
Vamos, começai! (...)".

Um comentário:

De Paris a Santos... disse...

Meus queridos,

Meu modesto comentario sobre Salmo 91 esta no meu artigo do Terra Magazine.
Abraço a todos e barvo!

Deolinda Vilhena

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1789031-EI6581,00.html