quarta-feira, 18 de julho de 2007

Era só o que faltava...

Como se não bastasse todos os desmandos que ocorrem nesse país, toda a violência, toda impunidade, toda falta de tudo temos que aceitar uma peça de teatro que faz apologia ao crime.

É isso mesmo meus amigos. Peça de teatro fazendo apologia ao crime. Desde a semana passada esta em cartaz a peça “Salmo 91”, que é uma adaptação do livro de Drauzio Varella, Estação Carandiru. A peça, segundo todos os grandes meios de comunicação, gira em torno dos fatos ocorridos na Casa de Detenção em 2 de outubro de 1992 que terminou com um saldo de 111 criminosos mortos em confronto com a policia.

Não podemos admitir que isso aconteça, enquanto gritamos aos quatro ventos implorando por justiça aos nossos entes queridos brutalmente assassinados, enquanto lutamos para que o código penal seja alterado, enquanto vivemos revoltados com a impunidade de verdadeiros monstros, temos que abrir os jornais e as revistas que circulam em nosso país e ler que existe uma peça em cartaz que conta as atrocidades de que foram vitimas os bandidos que se encontravam presos.

Não é possível uma coisa dessas. Parafraseando o amigo Jorge Damus, pai do Rodrigo – que teve sua vida ceifada na flor da juventude por um “menor” – “Até quando” teremos que tolerar esse tipo de atitude? Não estou aqui clamando pela volta da censura no país, estou aqui tentando descobrir, desde que li o Caderno 2 do Jornal O Estrado de São Paulo, onde esta o bom senso das pessoas. O que se pretende com uma peça desse tipo? Com certeza receberemos como resposta que isso é uma “obra de ficção”, como o filme de Hector Babenco, Carandiru. Obra de ficção de um fato verídico?

O título da peça é “Salmo 91”. Um dos versículos desse Salmo diz o seguinte: "Mil cairão à sua direita, e dez mil à sua esquerda, mas a ti nada acontecerá, nada te atingirá". Se formos aplicar aos presos, teremos que concluir que: Aos presos nada acontecerá.

Como assim? Será que enlouqueci? Em que mundo estou vivendo? O que mais vai acontecer?

Perdoem-me, mas estou completamente indignada. Há 4 meses escrevi um desabafo como este intitulado “Basta de Impunidade”, falando do absurdo de termos assassinos soltos por aí, convivendo com cidadãos de bem. Falando de minha revolta por saber que a pessoa apontada pela polícia e pela promotoria pública como assassina do Coronel Ubiratan Guimarães continua solta. Naquele momento estávamos revoltados com o assassinado do menino João Hëlio. Nós, os defensores dos humanos direitos, dos direitos dos cidadãos de bem, passamos esses meses lutando, fazendo passeatas e tentando sensibilizar os governantes e a sociedade para os absurdos que acontecem em nosso país, enquanto artistas fazem montagens defendendo os criminosos. Repito, não estou querendo censura, só peço bom senso. Quando se fala de um fato ocorrido, de uma história verídica, temos que tomar o cuidado de não sermos parciais, temos que apresentar o que realmente ocorreu, sem ser tendencioso.

Agora pergunto a vocês: O que mais falta acontecer? Mais uma menina ser estuprada como Liana Friedenbach? Mais um jovem como Gabriela Prado Maia Ribeiro, Rodrigo Damus, Felipe Caffé e tantos outros ser assassinado? Mais uma criança como João Helio ser arrastado pelas ruas de uma cidade? Teremos que ter mais uma mãe, como Dona Fumio, que sabe que o assassino do seu filho de apenas 23 anos esta nas ruas? Vamos esperar mais um “crime passional” como o que vitimou o Coronel Ubiratan?

Até quando? Não sei quanto a vocês meus amigos, mas eu não suporto mais!

Essa é a foto de divulgação da peça “Salmo 91”, em cartaz no Teatro do Sesc Santana, em São Paulo.



Karina Florido Rodrigues, 30 anos, ex-assessora do Deputado Coronel Ubiratan Guimarães

9 comentários:

SALMO 91 disse...

karina, eu convido voce pra ir ver a peça.
fale com a produtora renata alvim e pode pergar um convite em meu nome: Pascoal da Conceição.

Sinta Liga! Blogger disse...

pode crer, se não estiver na lista do pascoal estará na minha: Cacá Toledo. Outra, como já dizia o poeta, apologia de cu é rola. É pena que uma pessoa que escreva tão bem tenha sido formada ainda bem jovem nas mão de um cara como o Ubiratan.

fernanda disse...

Não se trata de apologia ao crime, de forma alguma, Karina. Por mais que a idéia nos perturbe ou confunda, brutais assassinos também têm seu lado humano. Com certeza, a peça revela a faceta mais sensível desses seres humanos. Vá ver!

jorondine disse...

Faça-me o favor!
Pegar o Salmo mais bonito da Bíblia para fazer apologia aos criminosos!
Ora, o Carandiru não existe mais! o Coronel Ubiratan está morto como mortos estão os 111!
Vamos virar essa página!

Rômulo disse...

Essa Karina é doente...

orkutman disse...

Senhora Karina, com todo o respeito, repito as palavras de nosso Senhor Jesus Cristo: "que atire a primeira pedra quem nunca pecou".
Longe de fazer apologia ao crime e sempre desejando que todos os criminosos, repito: todos os criminosos sejam punidos, não apenas os assassinos ou estupradores, mas todos, incluindo os políticos corruptos, policiais q abusam do poder q detém para nos proteger e criminosos do colarinho branco.
Enfim, é mta hipocrisia taxar d vagabundo quem cometeu um crime comum e querer sua pena de morte ao mesmo tempo em que se admira um figurão bem conceituado da sociedade e, principalmente, rico, mesmo sabendo que é um fraudador, criminoso, q sonega milhões em impostos.
Mto mais hipocrisia ainda querer a pena de morte e xingar o policial que aplicou uma multa, pq ele nw aceitou os R$ 50,00 oferecidos como suborno p q ele fizesse vistas grossas.
Mas a hipocrisia das hipocrisias é fechar os olhos para tudo q acontece em nosso país, defendendo a pena de morte e nw lutar para q escolas sejam construídas, q educação decente seja disponibilizada, q as crianças sejam educadas.
O indivíduo é fruto do meio, se o meio em q ele vive é violente, será violento, se é corrupto, ele será corrupto.
Sem mais.

Babu disse...

Caros,
Liberdade de expressão é a coisa mais linda do mundo, então vocês podem dizer o que querem, mas não insultar pessoas machucadas pela perda de entes queridos como no comentário desse idiota:
"pode crer, se não estiver na lista do pascoal estará na minha: Cacá Toledo. Outra, como já dizia o poeta, apologia de cu é rola."

O que é isso??
Essa pessoa, que escreveu isso, faz parte do elenco da peça? Se a resposta for afirmativa, não quero mais assití-la.
É preciso saber lidar com críticas, um ator que não se faça valer do bom senso, não merece ser um bom ator!

Thiago disse...

Carcereira da liberdade de expressão, senhara da ignorância. espero que após ter feito esse papelão, a senhora Karina tenha aprendido a não falar do que não conhece, a não julgar sem saber do que se trata. Tudo isso é prova indiscutível de que essa infeliz pessoa, é sem dúvida nenhuma, antes de mais nada movida ao estardalhaço, escândalo, desepero pelos seus 15 minutos de fama, movida apenas pelo pre-conceito. Meus queridos, essa senhora nem havia assitido à peça e já proveria palavras - sem sabe do que se tratava - reacinaristas. Minha prezada senhora, espero que tenha aprendido que pre-conceito é sinônimo de ignorância. Espero que tenha aprendido o real valor de se ser "ser-humano", espero que a senhora tenha levado em consideraão que um país desigual é responsável por cada ato de violência. e que se seus amigos "skin-heads" foram vítimias de violência, se a senhora pensa na família das vítimas da violência, hoje a senhora consegue consideram o fato de que os bandidos, em qualquer ordem, em qualquer graus, são de fato vítimas da violência também? Não estou falando da violência consentida pelo seu tão venerado coronel. Falo da violência diária, consegue acompanhar? E a senhora pensa nas pessoas honestas, que acreditam - afinal a esperança é a única que morre -na recuperação de seu ente encarcerado e que morre, de repente, porque algué, se julgou ser maior, alguém quis brincar de Deus, tanto, ou MAIS, do que os prórios BANDIDOS QUE MATAM, ao decidir sobre a setença de morte alguém? A senhora percebe do que estou falando? A senhora tem a humildade de se imaginar por um segundo no sofrimento EM DOBRO dos familiares dos presos mortos? E não excluo aqui o valor do sofrimento das vítimas de violência tidas com "bosn olhos pela sociedade". francamente, Dona Karina, cave um buraco e se afunde, pela verginha, ou venha emergir do campo da ignorância e torne-se um ser humano melhor! Que vergonha, Dona Karina! Que vergonha! Suma, minha querida, desapareça, não se pronuncie nunca mais! Ou então reveja, de uma vez por todos, os seus conceitos. A senhora se equivoucou e de uma maneira muita feia! Francamente!!!! NUNCA MAIS SE JULGUE SUPERIOR A QUEM QUER SEJA! BANDIDOS, VENDEDORES, JORNALISTAS, ARTISTAS, AMBULANTES, MENDIGOS: VOCÊ NÃO É SUPERIOR A NINGUÉM. CASO TENHA DIFICULDADE DE SE LEMBRAR DISSO, NUMA PRÓXIMA VEZ, LEMBRE-SE QUE A SENHORA ELEIMINA SEU ALIMENTO RETIDO NO CORPO DA MESMA MANEIRA QUE TODOS OS OUTROS SERES-HUMANOS. PENSE NISSO TODA A VEZ QUE A SENHORA FOR DEFECAR E NUNCA MAIS VAI SE ESQUECER QUE A SENHORA É IGUALZINHA A QUALQUER UM. OK, TALVEZ TENHA SOFRIDO DE MAIS PRECONCEITO, MAIS AINDA ASSIM IGUAL, SUJEITO A ERROS.

gleide_pereira disse...

Psiu,será que você sabe quem foi o Coronelzinho Ubiratan?Será que ele realmente tinha algo melhor do que certos presos do Carandiru naquele dia?Lamentável!!
Errar é humano,persistir nele é burrice sem dúvida,mas todos os criminosos tem uma alma e necessitam de amor,poís a bíblia diz:"Amarás a teu próximo como a ti mesmo" e não há acepção de pessoas.Vejo que se no Brasil tivesse pena de morte,você seria a primeira a assinar embaixo,mas não se esqueça que quem deu a vida foi Deus e cabe só a ele tirá-la.
Não defendo os criminosos de forma alguma,antes,eles devem pagar por seus crimes e trabalharem pelo seu sustento,assim como nós,mas por trás de um "bandidinho" está uma mãe aflita,que chora,que se culpa,eu mesma conheço uma bem de perto.Você não sabe o quanto dói ver uma mãe chorar por um filho que matou o filho de outra pessoa,dói muito!!
O brasil precisa acabar com a impunidade de uma vez por todas,mas não é com violência que se combate a violência.
Conheço um ex-presidiário que sobreviveu aquele massacre.Ele conta que só vendo a morte de perto,é que decidiu abandonar a vida de podridão que levava.Hoje serve a Deus e ajuda outros que eram como ele,a encontrarem o caminho da verdade.
Sinto muito e me mostro solidária a todas as pessoas vítimas da violência,que perderam seus queridos e choram,mas o perdão é a maior prova de amor.
Meditem: "Até mesmo a menor das luzes brilha na escuridão"
Nunca desista de uma vida,poís em nenhum momento Deus desistiu de você!!

Gleide