quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

MEDITAÇÃO SOBRE O RIO DE JANEIRO

Estamos a caminho do Rio de Janeiro. Depois de São Paulo temporada na cidade e no interior vamos agora pela primeira vez para fora do estado carandiru.
A produção manda suas primeiras notícias das dificuldades que tem que enfrentar. Nenhuma novidade na dura criação desse enjeitado, O Teatro Brasileiro. Pobre do país que precisa de heróis e estamos precisando de muitos deles faz tempo, sabemos o que isso significa.
Todas as honras para a produção capitaneada pelo Claudio Fontana e os outros que fazem a produção e que não nomeei aqui.
O Claudio é o que mais escreve, e o mais animado, eu quero me contagiar com essa febre!
Vamos ver.
Quem quiser pode entrar na internet e ver o teatro poeira, http://www.teatropoeira.com.br/. Fica na frente, atrás, do lado, do cemitério são joão batista, famoso pelas personalidades criminosas ou não que a gente vê enterradas lá pela televisão. Até na novela das oito aparece o cemitério. Eu fui lá visitar o túmulo do Nelson Rodrigues que ali dorme o seu sono eterno acompanhado dos seus vizinhos. Será que descansa em paz e sem pesadelos?
Quem sabe?
A rua do teatro é rua são joão batista, que também está na internet, é o santo filho da mãe que deu um salve! para maria cheia de graça e a criança pulou de alegria na sua barriga. E é também a cabeça que Salomé pediu e Herodes mandou cortar. Ele era o homem? perguntaram, e ele respondeu que não tinha categoria nem pra tirar o pó da sandália do homem que viria depois dele.
Voz tão linda, tão potente que ficou pra sempre como a voz que clama no deserto e o deserto escuta!
Cabeça arrancada como foi a cabeça do Coronel, depois General, Macbeth Ubiratan, o fudidão da tropa de elite cuja rota era botar pra fuder e fazer jorrar o sangue pelas escadarias, anunciar pro zé povinho que "se correr a rota pega e se ficar a rota mata", e refrescar pra quem tinha esquecido, que o nosso Tempo não dá tempo pro AMOR, que não é coisa de macho, deixou de ser coisa de viado e há muito tempo atrás foi coisa de mulher.
Tudo no mesmo dia em que o Collor foi embora impichado pra sempre na história política do brasil, mesmo dia em que o medo venceu a esperança e o maluf ganhou de novo a prefeitura de são paulo contra o senador suplicy.
Cabezas cortadas!
Estamos indo pro rio de tropas de elite globais, a cidade de Deus, maravilhosa, onde meu nome não é ninguém, nem johny, que no seu cotidiano todo dia faz sempre igual me sacode invandindo minha vida em massacres, rocinhas, alemãoes, caveirão, pesadelos que me fazem sentir uma alice cabacinho indo para o país dos espelhos.
Será que vou chover no molhado, ensinar o padre nosso pro vigário geral?
...
Eu tenho medo... Meu coração está pequeno, é tanta
Essa demagogia, é tamanha,
Que eu tenho medo de abraçar os inimigos,
Em busca apenas dum sabor,
Em busca dum olhar,
Um sabor, um olhar, uma certeza...

É noite... Rio! meu rio! meu Tietê!

...

"Meditação sobre o Tietê", Mario de Andrade.
...

2 comentários:

Sinta Liga! Blogger disse...

Puta texto, hein, Pascoal?
:)

Teatro disse...

entre trocadilhos e reflexões da nossa natureza caótica e esculhambada carioca me peguei com frio na barriga (aqui e ali tantas vazias, isso ainda existe!), lágrimas nos olhos e um embargo ali, no meio da garganta, que neste momento nem tem com quem falar!

chover no molhado nada! a gente tá precisando é da gastrite, de relembrar os fatos fedidos, fetos fodidos, pra ver se sai deste stand-up comedy escroto que acomete esse rio de janeiro, como se pudéssemos resolver todos nossos problemas gravíssimos de sociedade a caminho do caos, do fim, do vazio, com uma peruca e atrás de um microfone!

sejam bem vindos ao rio de janeiro!

fabiano de freitas