domingo, 24 de junho de 2007

"MAIS URGENTE NÃO ME PARECE TANTO DEFENDER UMA CULTURA CUJA EXISTÊNCIA NUNCA SALVOU UMA PESSOA DE TER FOME E DA PREOCUPAÇÃO DE VIVER MELHOR, QUANTO EXTRAIR DAQUILO QUE SE CHAMA CULTURA IDÉIAS CUJA FORÇA VIVA SEJA IDÊNTICA A DA FOME.
TODAS AS NOSSAS IDÉIAS SOBRE A VIDA TÊM DE SER REVISTAS NUMA ÉPOCA EM QUE NADA MAIS ADERE À VIDA.
E ESTA PENOSA CISÃO É MOTIVO PARA AS COISAS SE VINGAREM, E A POESIA QUE NÃO ESTÁ MAIS EM NÓS, E QUE NÃO CONSEGUIRMOS ENCONTRAR MAIS NAS COISAS, REAPARECE DE REPENTE PELO LADO MAU DAS COISAS;
E NUNCA SE VIRAM TANTOS CRIMES CUJA GRATUITA ESTRANHEZA SÓ SE EXPLICA POR NOSSA IMPOTÊNCIA EM POSSUIR A VIDA.
SE O TEATRO EXISTE PARA PERMITIR QUE O RECALCADO VIVA, UMA ESPÉCIE DE ATROZ POESIA EXPRESSA-SE ATRAVÉS DE ATOS ESTRANHOS EM QUE AS ALTERAÇÕES DO FATO DE VIVER MOSTRAM QUE A INTENSIDADE DA VIDA ESTÁ INTACTA E QUE BASTARIA DIRIGI-LA MELHOR."

ANTONIN ARTAUD

2 comentários:

dib disse...

De arrepiar. Até parece que Artaud escreveu isso logo depois de ler o livro 'Estação Carandiru', de Drauzio Varella, e depois de ter assistido a um ensaio de 'Salmo 91', com a turma de Gabriel Villela. Que gênio visionário. "As alterações do fato de viver mostram que a intensidade da vida está intacta". Isso aí é, define e sintetiza o espetáculo 'Salmo 91', com a intensidade de seus personagens enclausurados, perdidos, reclusos, mas vivos, muito vivos, que não sabem/não querem/não conseguem/não podem/não lhes deixam dirigir melhor suas vidas. VIVA ARTAUD! VIVA GABRIEL VILLELA!

Nanda disse...

Este blog está muito legal.
Quanto ao texto do Artaud não tenho nada a acrescentar às palavras do Dib, que admiro como dramaturgo. O texto só veio a acrescentar ao texto do programa e aumentar ainda mais a curiosidade sobre a montagem.
Felizmente tenho assistido a interessantes montagens baseadas nos textos do Drauzio Varella e certamente Salmo 91 será marcante.

Beijos a todos
Nanda Rovere